Custo-benefício
O vivente chega aos cinquenta anos e se vê compelido a observar uma série de procedimentos a fim de assegurar alguns anos a mais de vida neste espaço-tempo. Começamos com as consultas anuais ao clínico geral, ao urologista, ao oftalmologista e ao dentista; seguem-se então os exames: sangue e urina (a fim de saber se os órgãos internos estão a funcionar adequadamente), ultrassom das carótidas e do abdome, cintilografia cardíaca, raio-x dentário e fundoscopia; e por fim, os medicamentos: antidepressivos, ansiolíticos, comprimidos para combater o ácido úrico, o colesterol e a glicose, compostos para suprir a carência de vitamina D e B12, ampolas para reposição hormonal e, claro, vacinas. Muitas vacinas. Isso só para fins preventivos: notável é a sagacidade do acaso em acrescentar dramas ao nosso prontuário médico. Há que se ter paciência, disciplina e, sobretudo, dinheiro, um tripé difícil de reunir no tumulto do dia-a-dia. Sou a favor de que, além das férias anuais, a legislação franqueie a todo cidadão com mais de quarenta anos alguns dias por ano dedicados a exames preventivos. Soube que a Alemanha teria um projeto neste sentido. Acredito que esse avanço civilizacional acabaria por reduzir os afastamentos para tratamento de saúde e aliviaria a pressão orçamentária dos sistemas sanitários nacionais. Seja como for, esse pitaco deve ser avaliado em conjunto com uma dúvida existencial e, infelizmente, oportuna: ainda vale a pena investir nesse mundo?